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Dia dos avós na pandemia...


26.07.2020

Texto: Infeccologista, Dr. Daniel Junger

Em meio a tantas recomendações para isolamento e distanciamento sociais, encontramos na nossa família o maior e melhor refúgio. 

Tentamos ficar em casa e proteger nossos familiares da COVID-19. Organizamos os horários para sair apenas pelo essencial e evitamos as saídas dos mais velhos tomando para os mais jovens as “missões” das compras em supermercados e padarias, serviços bancários, farmácias, entre outros.

Atualmente estamos em uma fase de interiorização da pandemia. Isso tem levado municípios do sul do Espírito Santo a enfrentarem casos cada vez mais frequentes. Algumas cidades conseguiram controlar parcialmente seus cenários epidemiológicos, estacionando na classificação de risco moderado. Outras, no entanto, retornaram à categoria de risco grave. 

A tão comentada taxa de transmissão tem baixado em vários lugares, o que parece animador. Ora, a taxa de transmissão é a capacidade de uma pessoa infectada transmitir para outras pessoas. No caso do novo coronavírus (SARS-Cov-2), essa é uma das principais intervenções possíveis para o enfrentamento do quadro atual. A circulação do vírus na população depende do número de suscetíveis. Como se trata de um vírus novo, e de acordo com as fases analisadas dos inquéritos epidemiológicos realizados no estado, o número de suscetíveis ainda é muito grande - maior que 90% de acordo com a última análise realizada em junho deste ano.

É de suma importância a atenção ao chegar em casa, voltando da rua. Higiene das mãos, principalmente. Mesmo para aquelas pessoas que já tiveram COVID-19, as mãos podem trazer partículas virais para dentro de casa e essas serem compartilhadas nos objetos de uso comum, como maçanetas, talheres e demais utensílios domésticos. Para aqueles que estão com sintomas respiratórios em casa, recomenda-se manter uso de máscara e distanciamento de 1,5m dos familiares.

Temos visto um número crescente de internações de idosos infectados por coronavírus. Isso se deve às reuniões familiares (que configuram aglomerações, mesmo sendo entre pessoas próximas e queridas), e por não observarmos as recomendações de higiene no retorno ao lar. 

Visitas e festas mesmo em família não são a melhor forma de demonstrar carinho em meio a pandemia. Especialmente com o risco aumentado para aqueles acima dos 60 anos de idade.

Nossos idosos são as nossas relíquias. São a história viva da nossa família!

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